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08/12/2010 13h58

Dia das Pessoas com Deficiência motiva reflexão

A Nações Unidas celebrou, no último dia 3, o “Dia Internacional das Pessoas com Deficiência”. Desde 1998 a data foi instituída com o objetivo de fomentar uma maior compreensão dos assuntos que dizem respeito às deficiências. A intenção é motivar a defesa da dignidade, dos direitos e do bem estar das pessoas.

A coordenadora de Educação Especial da Diretoria de Educação de Lençóis Paulista, Roseli Vicente, elaborou um artigo sobre o assunto, no qual traça uma linha cronológica de como a deficiência foi tratada ao longo do tempo. Acompanhe:

Corpos deficientes: um olhar no passado

Desde o início da história da humanidade, os tipos de comportamento em relação às pessoas com deficiências eram de eliminação, destruição e menosprezo, caracterizados pelos corpos e suas marcas. Fosse por necessidade de sobrevivência e superstição, algumas tribos ignoravam, assassinavam ou abandonavam as crianças, adultos e velhos com deficiências e doenças. A vida nômade lhes obrigava a essa atitude. Outras tribos acreditavam em feitiçaria, maus e bons espíritos e por respeito e/ou medo não atentavam contra seus diferentes.

Na Antiguidade, dois núcleos despontam no referencial histórico do corpo das pessoas com deficiências: Grécia e Roma. Da Grécia Antiga, aparecem imagens de corpos fortes para o combate em proteção ao Estado. Ponto de referência para o estudo da Educação Física e origem dos Jogos Olímpicos Antigos, havia uma preocupação com o corpo saudável, forte e perfeito, em que os esportes eram tidos como elementos que mobilizavam a sociedade e instrumentos da classe que mantinha o poder. Somente amputações originadas da guerra eram consideradas honras de herói. Aos diferentes, morte, desprezo e abandono. Observa-se que, os menosprezados eram os que cumpriam tarefas corporais, aqueles que possuíam qualquer deformidade eram exterminados, julgados não merecedores do direito à vida. Em relação a este período nos lembra que “A dicotomia deixa de ser corpo/mente e passa a ser corpo/alma. A pessoa com deficiência deixa de ser morta ao nascer, porém passa a ser estigmatizada, pois, para o moralismo cristão, católico, deficiência passa a ser sinônimo de pecado".

Surge então o Renascimento como movimento fundamental para a revisão do cenário sociopolítico educacional, período importante para a renovação de conceitos. Muitas ideias e atitudes que antecipavam o mundo moderno foram apresentadas pela renascença, entre elas, a preocupação com os interesses terrenos, o naturalismo, o individualismo e, o mais fundamental, o humanismo que resgatou o papel e a importância do ser humano em oposição ao poder e a dominância do ser divino.

O fato de aumentar o interesse pelo ser humano e pela natureza proporcionou que, no Renascimento, aparecessem os primeiros indícios de pesquisas sobre o tema deficiência, que se deu no advento das ciências biomédicas que se organizaram a partir de René Descartes. Essa ciência fundada na fragmentação humana, que pautou não somente a medicina, mas várias outras áreas do conhecimento, também apresentou erros evidentes oriundos do cartesianismo, pois esquece a matriz de um conceito holístico e complexo do ser humano.

Apesar de um suposto avanço, mesmo sob a influência de estudos científicos, principalmente na medicina, pessoas com deficiência física foram perseguidas e pessoas com doença mental foram torturadas. A transição do feudalismo para o capitalismo gerou uma mudança radical no comportamento das pessoas. Esse processo ocorreu de forma lenta e complexa , cercada de conflitos entre as classes que dominavam o antigo regime e o ascendente. Na Idade Média, a deficiência foi associada ao pecado; agora, está relacionada à disfuncionalidade, pois o corpo deficiente está associado a uma máquina com disfunção de uma ou mais peças (BIANCHETTI, 1995). Nota-se que o corpo, principal referência do ser humano, passa então a ser vivido na sociedade de mercado na condição de valor. A pessoa com deficiência sai com grandes desvantagens por não se ajustar aos critérios de rendimento e eficácia".

Percebe-se no período Contemporâneo, caracterizado por formas mais elaboradas do sistema capitalista, uma corrida desenfreada pelo avanço rumo a um mundo novo, no qual as pessoas com deficiências sofriam à margem dos acontecimentos.

Os estudos científicos multiplicam-se nos séculos XVIII e XIX, atingindo seu auge no século XX, marcado por um período de reformas sociais e guerras, início dos interesses governamentais em assuntos referentes às PD, especialmente no campo da educação, psicologia e medicina. O século XX traz um incrível avanço tecnológico que modifica fundamentalmente a estrutura organizacional da sociedade. O avanço das comunicações (telégrafo, telefone, rádio, televisão e satélites) torna o mundo um espaço sob controle das grandes potências mundiais.

A guerra fria, a produção científica, o posterior desenvolvimento da informática. Nesse período localizam-se algumas iniciativas marcantes de um novo tempo para a realidade dos corpos deficientes.

Roseli Vicente, coordenadora de Educação Especial da Diretoria de Educação de Lençóis Paulista

 

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Tags: pessoas, deficiência, motiva, reflexão.

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